

A sessão inicia-se antes da entrada dos participantes: o Narrador recita fragmentos do primeiro capítulo do Liber AL vel Legis, a voz de Nuit. Ninguém está presente para ouvir.
O Neófito é o primeiro a entrar. O Narrador comenta ferramentas de IA usadas na preparação da campanha (entre elas o NotebookLM) e contextualiza as três camadas narrativas para quem não participou da sessão anterior: os jogadores como são, os jogadores ficcionalizados, e a Terra dos Sonhos conduzida por Frater Crawly.
"A gente tá no Egito?" — "A gente não sabe. É um deserto com pirâmides. Se você acreditar, e na sua vontade for o Egito, é o Egito."
O Narrador apresenta a hipótese da campanha: vinte anos de RPG produziram uma egrégora alimentada pela repetição de símbolos, personagens e decisões compartilhadas.
"Nós somos os cultistas." — "É tipo o vilão."
Mestreze ingressa na chamada e reconhece os materiais gerados por IA a partir das conversas de WhatsApp do grupo. Troca lembranças de campanhas anteriores com o Narrador — Dará, um clérico que adorava um deus inventado e criou uma magia chamada Garagos, que passou a "funcionar de verdade" porque o grupo passou a acreditar nela.
"A galera passa a acreditar tanto numa coisa que ela começa a existir de verdade."
Mestreze cita Rudolf Steiner; o Narrador menciona egrégoras, Crowley, Lévi, tarot, Lovecraft. A sessão se desloca para a criação de fichas sem separar mecânica de narrativa.
O Narrador retoma de onde a S.0.0 parou. Mestreze improvisa sua entrada na Terra dos Sonhos:
"Eu cheguei atrasado. Eu usei a droga errada e, no curso de chegar a tempo, eu tive que dormir."
Mestreze aparece numa duna; HappyDream se enrosca em suas pernas, mas não obedece — tem vontade própria. Uma tempestade de areia avança. Mestreze se cobre com o manto; o Neófito decide seguir HappyDream ("Eu sinto confiança nesse animal. Eu vou atrás dele."). Quando a tempestade se acalma, figuras surgem no deserto. Mestreze agarra uma delas:
"Quem é você?" — "Quem sonhou você?" — "Eu sou um sonho que se sonha junto."
A criatura tem feições draconianas. Mestreze reage com familiaridade — "Eu sabia que essa aventura você estaria aqui, maaa-noooo." — e o Narrador confirma que a frase tornou irresistível a manifestação, fora do momento planejado. A criatura se dissolve na areia. O Neófito não viu nada.
Uma tenda oferece lembranças, memórias, sonhos não realizados. O mercador propõe: "Eu lhe vendo uma lembrança e você me conta algo que eu ainda não sei." Mestreze contrapropõe dar uma lembrança de graça — a história de "um jogador" flagrado pelo pai interpretando seu personagem com a voz do "Pit-Bicha" de Tom Cavalcanti, numa sessão online de headphone. O mercador aceita e esclarece que a lembrança compartilhada não desaparece de quem a deu — fica duplicada.
"Agora você compartilhou uma memória com o Inominável."
O Narrador converte o relato em Marco, pedindo a Mestreze a frase que define o momento:
"Nunca jogue RPG online de headphone."
Mestreze confronta o mercador sobre a menção ao Inominável — "Eu não disse que eu era o Inominável. Eu disse que sua memória havia sido compartilhada com O Inominável." "Quem é o Inominável?" "O Inominável é aquele que não tem nome." — e é levado, por perguntas sucessivas, a admitir onde está:
"Você está na Terra dos Sonhos, meus amigos. Quem você acha que governa isso aqui?" — "Cada um governa seus próprios sonhos. A não ser o sonho que se sonha junto."
A criatura draconiana se manifesta de novo ao som de flauta doce. Um bafo de dragão passa pelo pescoço de Mestreze; o Neófito não entende o que se passa, ignorado pela criatura.
"Eu sou um açougueiro. Você acha que diante de um pernil desse, de uma picanha dessa, eu vou me interessar por um galetinho?"
O Narrador revela, fora da cena, que o mercador se chama Rashid. Mestreze define seu estilo de combate — Mestre do Punho Bêbado — e o deserto se ergue como cidade: vielas, tendas, um mercado público.
Mestreze quer encontrar um vendedor de macacos — não para si, mas para Neander, "que ama a ordem e não tolera o caos" — e narra a história de um imp que Neander criou numa campanha antiga, destruído em suas perspectivas pelo mestre da época, capaz de dizer apenas "muitas cores, muitas cores, muitas cores".
Na entrada da cidade, uma guarnição pede passaporte. Mestreze cita Belchior — "Todo canto que eu passava o guarda me parava, olhava a foto do meu documento e depois sorria" — e o funcionário, admirado com carimbos de Waterdeep e Baróvia, o deixa passar; a citação vira aspecto de Cultura, Memória Musical. Chega a vez do Neófito: descobre um passaporte em branco no bolso, que o funcionário sugere usar para registrar memórias — vira aspecto de Intelecto, Um Livro em Branco.
"Quando a gente é mais velho, fica tentando colocar conhecimento novo em caixa velha, em gaveta velha. Quando você é jovem, as gavetas são novas também."
Na saída, o funcionário adverte:
"Vocês estão juntos? Não se percam de vista." (…) "Não seja assim tão desdenhoso com o poder que é só seu. A sua vontade é só sua. Mas quando a sua vontade é uma vontade... compartilhada... Como você mesmo disse, sonho que se sonha junto... tem menos chance de se tornar pesadelo."
O Narrador interrompe a cena:
"Lamento informar: vocês perderam HappyDream de vista. Agora durmam com uma bronca dessa."
Mestreze não se importa com o guia:
"O nome do meu macaco vai ser Iluminado."
Fim da Sessão 0.1.
Continua em: S.0.2 — Os Macacos Marroquinos (a S.0.1 já retoma a busca pelo macaco que dá nome a essa operação seguinte).